Uma mão na transformação da qualidade da assistência médica

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Dr. Erin DuPree

Os pacientes podem ser colocados em duas categorias amplas. Alguns precisam de ajuda com um evento: conserte um braço quebrado e o problema do paciente está resolvido. Outros precisam de ajuda com um processo: eles precisam gerir pressão sanguínea alta, ou diabete, ou outra condição crônica. Nenhuma correção rápida resolve esses problemas, mas ao abordar uma condição crônica de maneira sistemática, consistente e atenta, ela pode ser controlada e as vidas dos pacientes podem melhorar muito.

Quando se trata de qualidade na assistência médica, muitas instalações tratam problemas como eventos em vez de processos. Quando uma solução é implantada, o problema é tratado como resolvido. Infelizmente, a menos que eles recebam tratamento sistemático e atento, problemas de qualidade na assistência médica provavelmente persistirão e piorarão, como uma condição crônica.

Por isso, a Joint Commission Center for Transforming Healthcare ajuda hospitais e sistemas de saúde a adotar novas maneiras de tratar a segurança e qualidade dos pacientes. A metodologia Robust Process Improvement® do centro encoraja uma abordagem diferente para resolver problemas de assistência médica, incorporando Lean, Six Sigma e princípios de gerenciamento de alterações.

“Temos o potencial de melhorar significativamente a segurança da assistência médica através da disseminação do Robust Process Improvement”, diz Dr. Erin DuPree, o diretor médico executivo e vice-presidente do centro. “Isso não só melhora e salva vidas, como também melhora a cultura da organização”.

DuPree está especialmente orgulhoso dos ganhos feitos na higiene das mãos. O centro colaborou com oito hospitais e sistemas de assistência médica para desenvolver soluções de higiene para as mãos e introduziu a “Targeted Solutions Tool®” online para higiene de mãos em setembro de 2010.

Os guias de higiene de mãos da TST® guia as equipes através de um projeto do Robust Process Improvement para melhorar as taxas de conformidade com higiene de mãos. Ao mesmo tempo, ele ajuda a familiarizar os membros da equipe com métodos de qualidade conduzidos por dados. O uso da ferramenta e da metodologia provou ser tremendamente eficaz, melhorando as taxas de conformidade de higiene de mãos de 57,9% para 83,5%.

Pedimos para DuPree compartilhar seu ponto de vista sobre o Robust Process Improvement e a mudança de ponto de vista sobre a qualidade entre profissionais de assistência médica.

Por que as organizações de assistência médica consideram novas abordagens à melhoria e qualidade?  

Quando as organizações abordam um problema, elas frequentemente reúnem um grupo em uma sala. Elas tentam ver quais são as práticas recomendadas e depois se elas funcionam na organização. Essa é amplamente a abordagem atual à melhoria de processos na assistência médica e estamos descobrindo que ela não resulta realmente no tipo de melhoria que precisamos ver.

As organizações de assistência médica têm um interesse cada vez maior em aprender a ciência e metodologia da melhoria, pois estão atingindo platôs e não enxergam uma melhoria drástica, ou acham que corrigiram o problema, mas as melhorias iniciais não foram mantidas. A assistência médica está nesse ponto nesse momento e por isso há um interesse crescente em aprender e aplicar a metodologia de melhoria de processos. É uma grande mudança cultural para muitas organizações.

Como o Robust Process Improvement lida com os desafios na assistência médica?

A solução está realmente na metodologia. Ao usar o Robust Process Improvement como planejado, você começa a abordar problemas do ponto de vista do paciente, ou, em outros setores, do ponto de vista do cliente. Ao abordar problemas desse ponto de vista, as definições mudam e as divisões começam a ruir. Equipes diferentes começam a se formar para resolver problemas em sua organização, o que começa a melhorar a cultura da organização. Isso pode levar a melhorias drásticas.

Qual é a importância da análise de dados do Robust Process Improvement?

Os dados são um aspecto integral da melhoria de qualidade. Sem dados, não podemos medir o impacto de um problema ou determinar como nossas soluções estão funcionando realmente. Isso está realmente no cerne do trabalho do centro. Ele nos ajuda a definir, medir, analisar e melhorar processos para salvar vidas.

A higiene das mãos parece algo que todos em um instalação médica faria automaticamente. Por que ela é um problema?

As organizações de assistência médica trabalham para melhorar a higiene das mãos desde os anos 1800, com sucesso limitado. Mas a higiene das mãos é um dos maiores contribuintes para infecções associadas à assistência médica, portanto a confiabilidade na higiene das mãos é crucial para salvar vidas.

Estudos mostram que os funcionários de assistência médica lavam suas mãos 40% das vezes em que deveriam fazê-lo. Sabemos que há muitas causas para que os funcionários de assistência médica não lavem suas mãos. Cultura, responsabilidade e configuração do ambiente de trabalho de forma a facilitar para que um funcionário de assistência médica faça a coisa certa, são as causas principais.

Uma prática recomendada não trata de variações locais. Devido à complexidade dos fatores contribuintes, o hospital A exigirá uma solução diferente do hospital B.

A abordagem do centro levou a melhorias sustentadas em higiene das mãos nas organizações que usam oTargeted Solutions Tool®.

Como o TST aplica a metodologia DMAIC (definir, medir, analisar, melhorar e controlar) à higiene das mãos em instalações de assistência médica?

O TST guia a equipe de projeto através da fase Definir para garantir que a organização tenha comprometimento da liderança, envolva as partes interessadas pertinentes e ajuste definições operacionais concretas para lavagem de mãos. Acredite ou não, essa é uma mudança em muitas organizações. A equipe então passa para a fase Medir. O que eles descobrem com frequência é que não medem a conformidade com higiene das mãos com precisão. A ferramenta tem treinamento para coletores de dados para garantir que um sistema de medição preciso esteja implantado. Quando a higiene das mãos foi medida com precisão, as taxas de conformidade eram normalmente muito menores que o esperado.

Na fase Analisar, os dados do fator contribuinte que foram inseridos no TST são analisados pelas equipes de projeto. Eles descobrem os principais motivos para que as pessoas não lavem suas mãos na área do projeto. Isso leva à fase Melhorar, com as organizações implantando soluções direcionadas específicas para seus principais fatores contribuintes. Cada organização está carregando dados de fator contribuinte diferentes, portanto, cada organização terá um conjunto de soluções diferente dependendo de seus fatores contribuintes exclusivos. E, assim que as melhorias forem feitas, o TST ajuda a equipe a sustentá-las monitorando dados na fase Controlar.

Parece que usar o TST ajuda as equipes a aprender alguns princípios sobre análise de dados que podem ser aplicados a outros desafios.

Claro. É uma ferramenta educativa, pois muitas coisas são novidade para os funcionários e as organizações de assistência médica. Ela instrui sobre coleta de dados, como garantir que os dados sejam confiáveis, como interpretar a análise dos dados e, finalmente, como usar esses dados para realmente melhorar algo. Dessa maneira, ela se parece muito com uma ferramenta educacional. Em última análise, avançar para o próximo nível exige normalmente mais habilidades e treinamento.

Há muitas ferramentas no TST que as equipes podem certamente usar em outros contextos, outros projetos ou reuniões que eles participam. Esperamos esse tipo de crescimento.

Como mais profissionais de assistência médica podem se envolver em atividades de melhoria de processo?

Uma maneira de começar é identificar um problema que eles desejam resolver, depois, garantir que tenham o conhecimento e as habilidades para trabalhar nesse problema, seja através de parcerias com um especialista em sua organização, usando o TST, ou obtendo o treinamento por si mesmos.

Alguma ideia final que gostaria de compartilhar conosco?

É importante se comprometer a aprender como melhorar: a ciência da melhoria. Todos na assistência médica precisam se tornar especialistas nisso. Essa se tornou a maneira que trabalhamos todos os dias em assistência médica.

Para obter mais informações sobre o Joint Commission Center for Transforming Healthcare, acessehttp://www.centerfortransforminghealthcare.org.

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